Após ter elogiado a atuação da Polícia Civil de Mato Grosso na semana passada, o advogado criminalsista Eustáquio Neto, que faz a defesa da empresária e farmacêutica Maria Angélica Caixeta Gontijo, de 40 anos, suspeita de ser a mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos, em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá, agora disse que a equipe de investigação pode ter cometido "equívocos" contra sua cliente.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelos pedidos de prisão preventiva de quatro pessoas apontadas como envolvidas na execução do jurista. Todos os pedidos foram deferidos pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e as ordens judiciais cumpridas em cidades de Minas Gerais.
"A DHPP tem feito um excelente trabalho, queremos render a nossa admiração à rapidez e eficiência em relação aos atiradores. Conseguiram prendê-los em um tempo muito curto. Porém, com o máximo respeito, acreditamos que em relação a Maria Angélica houve um grave equívoco”, declarou o advogado em entrevista à rádio CBN Cuiabá, nesta segunda-feira (23).
Maria Angélica teve a prisão preventiva revogada na última quinta-feira (18) pelo juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo). O magistrado aplicou medidas cautelares que incluem o uso de tornozeleira eletrônica e suspensão do certificado de Colecionador Atirador Desportivo e Caçador (CAC) da suspeita.
Além disso, a defesa apresentou provas de que o assassino do crime, Antônio Gomes da Silva, de 56 anos, apontou que o crime teria sido "encomendado" por um homem com sotaque "italiano". "A senhora Maria Angélica não conhece e nunca teve qualquer contato com nenhum dos outros três, nem com o atirador, nem com o Hedilerson Barbosa e, muito menos, com o Coronel Caçadini. Não conhece nem de vista. A gente demonstrou que o fato dela morar no mesmo Estado do pistoleiro, do comparsa e até do próprio Coronel Caçadini, isso por si só não daria margem para linkar ela diretamente a esse crime”, afirmou o criminalista.
Além de Maria Angélica, os outros envolvidos no homicídio também são de Minas Gerais, mas foram presos em cidades diferentes. No momento da prisão, ela estava em Patos de Minas com uma pistola 9 milímetros, do mesmo calibre utilizada no homicídio do advogado. O autor dos disparos, o pedreiro Antônio Gomes da Silva, de 56 anos, foi preso na cidade de Santa Luzia. O intermediador, identificado como Hedilerson Fialho Martins Barbosa, de 53 anos, e o coronel do Exército Brasileiro, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, de 68 anos, foram presos em Belo Horizonte.
Caçadini é apontado pela defesa da empresária como a "peça chave" para se chegar ao "verdadeiro mandante" do crime. Ainda conforme o advogado, sua cliente teria procurado os meios legais para solucionar supostas rusgas envolvendo Roberto Zampieri. "Ela representou ele perante a OAB, e lhe processou criminalmente por entender que ele estava advogando para a parte contrária, e isso é crime. Ela também entrou com uma ação cível na Justiça rescindindo o contrato, pedindo indenização. Fez o que qualquer cidadão que se te lesado faria" disse o advogado.
Autor:AMZ Noticias com Folha Max