Sábado, 18 de Abril de 2026

Campanha eleitoral de 2022 muda de cenário e exclui mais de 17% dos eleitores de Mato Grosso




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Diferente das anteriores, a campanha eleitoral em curso distancia-se do corpo a corpo e mergulha na internet, onde candidatos prometem, apresentam saldo de suas atuações na vida pública, e onde a arte da criação nos mostra um cenário que seria o melhor dos mundos, se saíssem do virtual e ganhassem materialidade.

Esse circo da fantasia é nacional, irreversível e deixa pequeno espaço para a interação olho no olho entre o que pede voto e o eleitor. Porém, em Mato Grosso, por sua extensão territorial de 903 mil km² e a predominância de pequenos municípios - onde há pouco acesso às redes sociais e à mídia virtual -, a mensagem política não tem bom alcance em 88 das 141 cidades, onde votam 426.023 cidadãos, que correspondem a 17,26% do eleitorado mato-grossense.

A base territorial mato-grossense, com 141 municípios, tem 88 com menos de 10 mil eleitores e, destes, 11 com menos de cinco mil.Sâo exemplos Araguainha com 1.142, Serra Nova Dourada (1.617), Novo Santo Antônio (1.850), Santa Cruz do Xingu (1.856), Ponte Branca (1.921), Indiavaí (1.926) e Reserva do Cabaçal (1.948). No outro extremo, Cuiabá tem 427.797 e lidera um grupo com outros 10, que, juntos, incluindo a capital, somam 1.247.045, ou 51,59% dos portadores de títulos.

Numa faixa intermediária, 42 têm entre 10 mil e 39.999 eleitores, o que representa 31,15% do total inscrito no Tribunal Regional Eleitoral. A campanha, que até recentemente promoveu carreatas nas pequenas cidades e entre duas ou três localidades desde que próximas, não existe mais.

O político trocou a estrada pelo computador e o celular, onde é marqueteiro de si mesmo. Restaram visitas, arrastões e reuniões nas grandes e médias cidades, mas com bem menos intensidade do que antes. O morador em pequena localidade nem sempre acessa a internet, que, além de rara para esse perfil eleitoral, quase sempre é lenta e de difícil acesso. Nessas cidades, predomina a atividade rural, ainda que o indivíduo resida na área urbana.

Longe da propaganda nas mídias sociais e do noticiário nos sites, esse eleitor tem informação basicamente pelo horário eleitoral no rádio e na televisão, onde o tempo do candidato é curto e ele não é confrontado. Na programação tradicional das emissoras, em época de campanha, praticamente não se fala sobre política.

Faltando um mês para as eleições, nem mesmo travando corrida contra o tempo, candidatos conseguirão fazer corpo a corpo com essa fatia do eleitorado. Porém, em muitas dessas localidades, há cabos eleitorais contratados por esse ou aquele candidato.Normalmente, esse pessoal é formado por vereadores, ex-vereadores ou ex-prefeitos, que tentam fazer a ponte entre seu contratante e o eleitor.

Todos os políticos mato-grossenses cujos mandatos vencem neste ano, ou disputam a reeleição ou outro cargo, mas somente três têm domicílio em pequeno município. São eles: o deputado federal e candidato à reeleição Nelson Barbudo (PL), de Alto Taquari, com 7.431 eleitores; e os deputados estaduais que tentam se reeleger - Dr. Eugênio (PSB), de Água Boa (19.622), e Dr. Gimenez, de São José dos Quatro Marcos (14.277).

As candidaturas concentram-se nas grandes cidades, mas, em algumas pequenas, há moradores disputando. E, dentre eles, para deputado estadual, Alan Catulé (União), em Ribeirãozinho (2.099); Edcley Coelho (PSB), em Vila Bela da Santíssima Trindade (10.521); Priscila Dourado (PSB), em Alto Araguaia (12.287); e Janovan Rios (PSB), em Vila Rica (14.314). Para deputado federal, Eduardo Gomes (Patriota), em Alto Paraguai (6.124) e Ernando Cardoso (Republicanos), em Porto Alegre do Norte (8.281).

Ao contrário dos pequenos municípios, em Cuiabá e nas grandes cidades, a campanha virtual é bem acessada e, além dessa ferramenta, a classe política mantém permanente contato com o eleitorado. A concentração eleitoral, no entanto, não elimina a necessidade de longas viagens, em razão da distância entre elas. Alta Floresta fica a 803  km ao Norte de Cuiabá, e Barra do Garças, a 509 ao Leste da Capital.Nas visitas a essas localidades, o principal meio de transporte é o avião.

O grupo dos 11 municípios com maior eleitorado é composto por Cuiabá, com 427.797 eleitores, Várzea Grande (178.509), Rondonópolis (166.170), Sinop (106.940), Tangará da Serra (72.256), Sorriso (67.362), Cáceres (66.035), Primavera do Leste (50.025), Lucas do Rio Verde (49.625), Barra do Garças (47.757) e Alta Floresta (41.569).

Os candidatos ao Governo, Mauro Mendes (União), Moisés Franz e seu vice e correligionário Frank Melo (PSol), Márcia Pinheiro (PV) e seu vice Vanderlúcio Rodrigues (PP) e Marcos Ritela e seu companheiro de chapa Alvani Laurindo (PTB), residem em Cuiabá.O vice-governador e candidato à reeleição na chapa do governador Mauro Mendes, Otaviano Pivetta (Republicanos), é domiciliado em Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte de Cuiabá).

Também residem em municípios desse grupo os candidatos ao Senado Kássio Coelho (Patriota) e José Roberto (PSOL), ambos em Cuiabá; Neri Geller (PP), em Lucas do Rio Verde; Wellington Fagundes (PL), em Rondonópolis; e Jorge Yanai (DC), Antônio Galvan (PTB) e Feliciano Azuaga (Novo), todos em Sinop. Numa faixa intermediária entre os grandes e os pequenos, há 42 municípios com mais de 10 mil e menos de 40 mil eleitores.

Dentre eles, Juína (33.143), Nova Mutum (32.416), Pontes e Lacerda (32.235), Campo Verde (31.645), Juara (24.430), Barra do Bugres (24.100), Colíder (24.047), Poconé (24.030), Peixoto de Azevedo (22.857), Guarantã do Norte (22.630), Jaciara (20.129), Mirassol D'Oeste (19.870), Nova Xavantina (16.337), Paranatinga (15.675), Pedra Preta (14.219), Matupá (13.241) Nossa Senhora do Livramento (12.117), Nobres (11.659), e Nova Canaã do Norte (10 mil).

Dois deputados estaduais que tentam a reeleição residem em municípios desse grupo: Max Russi (PSB), em Jaciara; e Valmir Moretto (Republicanos), em Pontes e Lacerda.  Além dos detentores de mandato que residem nos municípios intermediários, em alguns há outros candidatos, que, inclusive, travam disputa doméstica, como acontece em Água Boa, com os candidatos a deputado federal Mauro Rosa, o Maurão (PSD) e Juliana Kolankiewicz (MDB); e em Confresa (22.080), com os candidatos a deputado estadual Gaspar Lazari (PSD), Baiano Filho (União) e Mauro Sérgio (MDB). 

GARGALO – O distanciamento do candidato ao eleitor do pequeno município e vice-versa cria uma faixa de exclusão do processo eleitoral. Para cada grupo de 100 eleitores, mais de 17 receberão informação parcial sobre as candidaturas. Nomes conhecidos nos meios políticos deverão ser beneficiados, mas o processo democrático, não.


Autor:Eduardo Gomes com Diário de Cuiabï


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