O número de mortes violentas no Tocantins diminuiu entre os anos de 2020 e 2021. Entre homicídios dolosos (com intenção de matar), latrocínios, lesões seguidas de morte e óbitos em decorrência de intervenções policiais, em 2020 foram 458 registros e 2021, 390 casos.
Os dados fazem parte do 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado na última terça-feira (28), que apresenta ainda que o balanço apresentado na categoria Mortes Violentas Intencionais (MVI) representou uma redução de 15,8%.
Se a quantidade de mortes violentas no Tocantins diminuiu entre os anos de 2020 e 2021, os feminicídios não seguiram a mesma tendência. De acordo com dados do 16º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de assassinatos de mulheres dobrou no estado neste mesmo período.
Conforme o documento, alimentado por estatísticas das Secretarias de Segurança Pública do Brasil e publicado na terça-feira (28), houve 10 mortes dessa natureza em 2020 no Tocantins. Em 2021, o número saltou para 21, um aumento de 110%.
Em outra ocorrência que entra nesse balanço do Anuário, registrada em março do ano passado, uma mulher foi morta a facadas. O companheiro é o principal suspeito do crime e, segundo a família, ela já havia sido agredida pelo indivíduo em outras ocasiões.Na capital, o número também reduziu entre os anos analisados com dados repassados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). Em 2020 ocorreram 103 mortes violentas intencionais, contra 70 de 2021, uma redução de 33,6%.
Situação ainda preocupa - Para Cássio Thione, representante do Fórum de Segurança Pública, os dados servem para analisar a situação e pensar em estratégias para reduzir as estatísticas de crimes. "Palmas não é a pior dentro desses níveis, mas também não é a melhor. Eu diria que esses números têm que servir para que a gente possa pensar em reduzi-los, que ainda são altos".
"Pessoas envolvidas na gestão, na segurança pública, possam usar esse indicativo como uma forma de pensar se a tarefa de casa está sendo bem feita. Ou seja, fazer uma autocrítica sobre a atuação daqueles órgãos que estão relacionados diretamente à segurança pública", recomenda o especialista.
Sensação de segurança divide opiniões - Entre as mortes registradas neste período no estado, está o sobrinho de um morador que morreu na cidade de Monte do Carmo. Ele não quis se identificar, mas contou o que o parente foi esfaqueado e o suspeito fugiu logo após o crime. Por isso, ele destaca o medo que sente após a perda do jovem. "Se sente inseguro. Se ele está solto, deveria ser um cara bom, mas ele não é. Se já matou quatro pessoas, por que esse cara está solto?", argumenta.
Alguns moradores consideram que Palmas ainda é uma cidade segura, se comparada a outras capitais. Mas outros não veem mais tanta segurança, como há alguns anos atrás. "Acho que não é violenta. É bem segura comparada a outras que eu conheço", relata o aposentado Emival Ribeiro.
O comerciante Welbert Miranda diz que se sente seguro, mas diz que a criminalidade aumentou nos últimos anos. "Aqui já foi bem mais seguro. Ainda me sinto, mas a gente percebe que a criminalidade tem aumentado muito", diz.
O delegado Guido Camilo, da Delegacia de Homicídios da capital, explica que a redução nos homicídios está ligada ao início rápido das investigações. "A polícia imediatamente comunica o Poder Judiciário, que impõe algumas medidas restritivas ao autor. Então a vítima deve procurar a delegacia e relatar, que com certeza ela vai ter amparo", finaliza Camilo.
Feminicídio - A morte da professora Elisabeth Figueiredo, de 60 anos, está dentro deste aumento nos casos de feminicídio. Em junho de 2021, ela foi encontrada morta dentro de casa, em Pequizeiro, com lesões na cabeça. O principal suspeito é o companheiro, que está preso na Unidade de Tratamento Penal Barra do Grota, em Araguaína. "Hoje nossa vida está incompleta, faltando uma figura muito importante na nossa cidade, na nossa família, que era a minha mãe. Foi um crime que abalou nossa comunidade", relembra o funcionário público Paulo Henrique Tavares, filho da vítima.
No Brasil, segundo o anuário, em 81% dos feminicídios os supostos autores são os companheiros da vítimas. Em janeiro de 2021, Ana Paula Lima, 25 anos, foi morta com golpes de faca pelas mãos de seu companheiro em Gurupi, no sul do estado. Vinícius Santos Lacerda foi condenado a 19 anos de prisão pelo feminicídio.
O delegado Guido Camilo, que investiga homicídios na capital, explica que a pandemia pode ser uma das causas para o maior registro de crimes contra mulheres. "Geralmente este crime de feminicício começa com pequenas agressões, pequenos xingamento e vai evoluindo até uma situação onde a vítima não consegue controlar. Por isso a gente orienta as vítimas a sempre procurarem a Delegacia da Mulher", diz o delegado.
Para a advogada da mulher Karol Chaves, é preciso reforçar a rede de proteção e acolhimento às mulheres vítimas de violência. "Por mais que seja um ciclo onde há afetividade envolvida, muitas delas não têm condições de sair porque não tem autonomia financeira para sustentar a si e aos seus filhos", comenta.
O conselheiro do Fórum de Segurança Pública, Cássio Thyone, diz que gestores devem tomar providências partindo dos resultados divulgados pelo Anuário. "Existem ações que podem ser desenvolvidas para tentar abaixar esses índices. Uma dessas iniciativas vai passar obrigatoriamente por questões culturais, educativas e por um investimento que não é só de curto prazo", afirma.
Autor:Redação AMZ Noticias