Os acidentes com serpentes não são tão raros como se imagina, especialmente, em áreas de mata. Para se ter ideia, somente neste ano, 748 pessoas já sofreram ataques de cobras, em Mato Grosso.
Apenas na última semana, em um período de quatro dias, ocorreram dois casos, sendo que em um deles a vítima veio à óbito. O tratamento é feito com o soro antiofídico, disponível na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, o estoque do medicamento está abaixo do necessário, no Estado.
Neste ano, os municípios com maior número de notificações por acidentes com serpentes foram Cuiabá (154), Rondonópolis (112) e Água Boa (68). No último dia 30 de julho, a médica Dieynne Saugo foi picada por uma jararaca, durante um banho na Cachoeira Serra Azul, em Nobres (151 km ao Norte de Cuiabá).
A médica fazia um passeio em um dos pontos turísticos da região, quando ocorreu o incidente. A cobra despencou com a queda d’água da cachoeira e atingiu Dieynne, que estava logo abaixo. Socorrida, ela recebeu o soro e foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular, em Cuiabá.
Nas redes sociais, a família informou que a médica foi picada duas vezes e as feridas incharam. Ela chegou a ter 70% das vias aéreas comprometidas desde a picada e passou por um procedimento chamado “traqueoscopia”, uma espécie de endoscopia feita nas vias aéreas. As informações são de que o quadro dela piorou e a família a transferiu para o Estado de São Paulo com urgência na noite de quinta-feira (4). O outro incidente ocorreu em Denise (208 km ao Norte da Capital), no dia 28 de agosto.
Giovani Lima Corrêa, 29 anos, foi picado no tornozelo também por uma cobra jararaca, durante um trabalho rural. Ele foi socorrido pelos próprios funcionários da fazenda e encaminhado a uma unidade de pronto atendimento (UPA) da cidade.
Após receber os primeiros socorros, foi transferido para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), pois não tinha soro antiofídico na região onde morava. Ele ficou internado por três dias no HMC, mas teve uma parada cardiorrespiratória três dias depois e morreu.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde, em 2019, foram registrados 1.418 acidentes por tipos de serpentes. Conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), foram registrados nove óbitos por este tipo de acidente, no ano passado. Em 2020, são três mortes, até o momento. As jararacas, que possuem dois dentes inoculadores de veneno, são as responsáveis pela maioria dos ataques no país.
PREVENÇÃO - Entre as formas de prevenção. estão o uso de botas de cano alto ou perneira de couro, botinas e sapatos pode evitar cerca de 80% dos acidentes, usar luvas de aparas de couro para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha, palhas, não colocar as mãos em buracos.
Conforme informações do Ministério da Saúde, as cobras se abrigam em locais quentes, escuros e úmidos. Por isso, deve-se tomar cuidado ao mexer em pilhas de lenha, palhadas de feijão, milho ou cana. Cuidado ao revirar cupinzeiros.
“Onde há ratos, há cobra. Limpar paióis e terreiros, não deixar lixo acumulado. Fechar buracos de muros e frestas de portas Evite acúmulo de lixo ou entulho, de pedras, tijolos, telhas e madeiras, bem como não deixar mato alto ao redor das casas. Isso atrai e serve de abrigo para pequenos animais, que servem de alimentos às serpentes, destaca.
Em caso de acidente, lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão, manter o paciente deitado; manter o paciente hidratado; procurar o serviço médico mais próximo; e se possível, levar o animal para identificação.
O tratamento é feito com o soro específico para cada tipo de envenenamento. Os soros antiofídicos específicos são o único tratamento eficaz e, quando indicados, devem ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica. O atendimento para esse tipo de acidente é gratuito e feito Sistema Único de Saúde (SUS).
SORO ANTIOFÍDICO - O deputado estadual Faissal Calil (PV) apresentou uma indicação, em que sugere à Secretaria de Estado de Saúde intervir junto ao Ministério da Saúde sobre o aumento no repasse de soro antiofídico ao Estado. O pedido foi feito em decorrência do caso de Giovane Lima, em Denise.
Faissal ainda justificou a indicação com dados divulgados pelo órgão estadual. “O estoque de soro antiofídico recebido por Mato Grosso está 70% abaixo do necessário. O Governo solicita 100% de estoque para atender todo o estado, mas tem recebido somente 30% da necessidade”, disse o deputado.
Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiaba