Sábado, 18 de Abril de 2026

Coronavírus chega ao Parque do Xingu e leva líderes indígenas a cancelar o tradicional Kuarup




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O Ministério da Saúde, que divulgou na terça ter contabilizado 82 mortes entre indígenas de todo o Brasil, diz que acompanha o alastramento da doença com preocupação. "A onda da Covid-19 vai se alastrando. Ela começou na região Norte, pegou na região Nordeste e agora está descendo aqui em direção aos xavantes e ao Xingu" – Robson Santos, secretário Especial de Atenção Indígena do Ministério da Saúde.

"Deus está sendo bom e pelo menos não está sendo tudo de uma vez, e a gente está se antecipando aos problemas para evitar que a disseminação ocorra, ou que, ocorrendo, a gente não tenha óbitos", disse o secretário.

Visitas, exames e interiorização - No domingo pela manhã uma equipe do Dsei Xingu, que já passou pela quarentena, entrou no Parque para visitar as aldeias Sapezal, Curumin, Tanguro e Tangurinho – onde vive o povo Kalapalo – para examinar e fazer testes nos índios que apresentarem sintomas, além de levar orientações às comunidades. O pedido é para que todos fiquem em suas aldeias. “A movimentação de pessoas entre as aldeias pode espalhar ainda mais o vírus e causar muitas mortes.”

A preocupação se justifica porque a circulação dos índios em cidades vizinhas ao Parque, onde se contaminaram, continua alta. E, com a interiorização do vírus, aumentam os números de casos confirmados da Covid-19 nas cidades do entorno do Parque Indígena do Xingu, como Querência (51 casos, em 10/6) e Canarana (27 casos, em 10/6), portas de entrada do Alto Xingu, área mais ao sul do Parque Indígena do Xingu onde os povos compartilham modo de vida e visão de mundo bastante semelhantes e são falantes do tupi, aruak, karib e a língua isolada trumai. Ali zelam pela natureza e por deuses sobrenaturais.

A região da aldeia Sapezal, onde ocorreram as primeiras confirmações da Covid-19, tangencia o Xingu no extremo leste da Terra Indígena, fica próxima às cidades de Querência e Gaúcha do Norte, e sofre com pressões e ameaças do entorno, como desmatamento e grandes plantios de soja.

'Sabíamos que iria chegar' - Uma cartilha com orientações de prevenção ao coronavírus, feita pela Associação Terra Indígena do Xingu pedindo que os índios permanecessem nas aldeias, pouco adiantou. “É lamentável”, diz Mutuá Kalapalo, em vídeo divulgado em rede social.

“A gente já sabia que um dia ia chegar na nossa terra, agora sei lá... não foi falta de falar, de orientação. O pessoal fica teimoso demais, então acontece”. E mais uma vez ele afirmou que novas conversas serão realizadas com a comunidade “para respeitar o combinado”: ninguém deve sair para a cidade ou aldeias que já tenham pessoas infectadas.

É sempre difícil mantê-los longe das cidades vizinhas, principalmente no caso dos grupos que estão mais próximos delas, onde vão frequentemente fazer compras de gêneros alimentícios, combustível para os barcos e geradores, visitar parentes ou quando se deslocam para outras regiões do país.

Em outro ponto da região, o vai e vem constante à Canarana – uma das principais portas de entrada do Alto Xingu –, continua alto e é também outra fonte de preocupação.

 Em grupos privados de WhatsApp, antropólogos pediam a todos com contato com os índios xinguanos que enviassem mensagens, vídeos e áudios sobre a gravidade da pandemia e a necessidade de ficar na aldeia. “Sabemos o quanto na prática isso é difícil, eles estão em risco o tempo todo, estão sempre nas cidades próximas", diz uma professora que trabalha com os índios kalapalo.


Autor:Redação AMZ Noticias


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