Para Neurilan Fraga (atualmente presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios - AMM), disputar a eleição suplementar ao Senado falta somente a Justiça Eleitoral definir a data de sua realização, a decisão foi descoberta pelo Boa Mídia após ter em mãos nesta sexta-feira, 13, um manifesto assinado por 82 prefeitos do estado, lhe indicando à disputa em nome da bandeira municipalista.
Mais: Neurilan em surdina se filiou ao PL do senador Wellington Fagundes, que além de apoia-lo se sente um de seus padrinhos políticos. Mesmo à princípio tentando desconversar, Neurilan disse que está preparado e confiante para o desafio. Desde a cassação da senadora Selma Arruda (Podemos) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e antes mesmo que seu recurso fosse rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um grupo de prefeitos está em cena em defesa de Neurilan ao Senado.
Esse movimento, discreto, longe dos olhos dos jornalistas, nesse período é o tema predominante do grupo de WhatsApp dos prefeitos. Da rede social o movimento ganhou formato de manifesto. Os 82 que o assinaram – acredita a prefeita Janailza Taveira (SD), de São Félix do Araguaia e que integra sua liderança – deverão se juntar outras dezenas. Janailza defende seu posicionamento argumentando que nós (os prefeitos) devemos defender um nome pelo municipalismo, que seja uma voz no Congresso Nacional inteiramente em defesa dos municípios e Neurilan chegando lá será um nome inteiramente em defesa dessa bandeira dos municípios.
Boamidia teve acesso ao manifesto suprapartidário, que defende a eleição de Neurilan ao Senado, por considerá-lo infuente liderança municipalista nacional. Os prefeitos deixam claro que não se trata de um posicionamento da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), que é presidida por Neurilan, que para eles é uma entidade composta por políticos, porém apolítica. A costura para a coleta de adesão à candidatura foi tratada com cautela, pela pluralidadade partidária dos prefeitos, que via de regra sempre são ligados a deputados e senadores de seus partidos ou a eles aliados.
Selma Arruda foi cassada pelo TRE em 10 de abril e desde então prefeitos, passaram a defender Neurilan ao Senado, antes mesmo do martelo final do TSE. Neurilan tinha apoio, mas à sua frente havia uma barreira partidária, uma vez que o PDS, ao qual era filiado, tem um nome natural para disputar o cargo – seu presidente regional Carlos Fávaro, que foi vice-governador e não conseguiu se eleger senador em 2018 ficando em terceiro lugar na disputa vencida por Selma Arruda e Jayme Campos (DEM).
Empurrado pelo movimento municipalista que sempre fazia ferver seu sangue político, Neurilan tratou logo de se filiar ao PL do senador Wellington Fagundes. Tanto quanto a costura dos prefeitos, a filiação também foi silenciosa e com ela se uniram as pontas do projeto político que brotou nos municípios: praticamente não faltava nada mais para o líder dos prefeitos anunciar que disputaria a eleição num palanque recheado de lideranças municipais representada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e ex-ocupantes de cargos eletivos, e reforçada com Wellington.
No âmbito político tudo estava pronto para Neurilan, mas ainda restava mais um passo para Mato Grosso tomar conhecimento dessa meta política: a notícia chegar ao cidadão. Nem Neurilan nem os prefeitos e muito menos Wellington sabiam como isso poderia acontecer, mas o acaso abriu as portas ao Boamidia. Hoje, uma frase solta numa conversa entre dois prefeitos foi o suficiente para a apuração jornalística. Não há nenhuma coletiva prevista para Neurilan anunciar que entrará na disputa ao Senado. A partir de agora, isoladamente os veículos de comunicação se encarregarão de noticiar o fato.
Autor:Eduardo Gomes com A Boa Midia