O presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), Tiago Abreu acredita que as investigações a cerca do possível envolvimento de integrantes do Ministério Público Estadual (MPE) no esquema de interceptações telefônicas ilegais poderá levar à "primeira prisão em massa de promotores de justiça" do país. As declarações de Abreu foram feitas a um magistrado de Brasília por meio de uma mensagem de áudio, a qual o jornal Correio Braziliense teve acesso.
Na gravação, o magistrado mato-grossense afirma que existe uma organização criminosa no Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), da qual se utilizou de grampos clandestinos para fazer perseguição política.
"Acredito que, aqui no Mato Grosso, com todo o aparato e a investigação que está ocorrendo, nós vamos desbaratar essa, entre aspas, organização criminosa que se instalou no Gaeco estadual. Porque foi utilizado, e está mais do que comprovado com os depoimentos que já foram colhidos, que foi utilizado o aparato institucional para fazer perseguição política", relata o presidente da Amam no áudio.
"Isso aqui está bem próximo de ser descortinado e a gente ter a primeira prisão em massa de promotores de justiça. Até uma forma de a gente dar uma lição para o nosso país", disse o presidente da Amam. Abreu ainda comenta no áudio as críticas proferidas pela senadora Selma (PSL-MT) sobre As investigações. Para ele, as declarações da congressista foram “antiética”.
Na última segunda-feira (5), a senadora fez um discurso em defesa da Operação Lava-Jato. Na oportunidade, mencionou a situação em seu estado. Para a senadora, há uma perseguição aos procuradores de Mato Grosso semelhante à que estaria ocorrendo, no seu entender, com os participantes da Lava-Jato.
Além disso, Selma ainda criticou a seccional mato-grossense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), que, segundo ela, "tem acompanhado e fomentado essa inversão de valores".
A fala de Juíza Selma acabou gerando uma resposta da Amam, que emitiu nota repudiando "todo e qualquer ataque feito ao Poder Judiciário de maneira gratuita e desnecessária". Foi justamente ao enviar a nota por celular para um magistrado de Brasília que o presidente da entidade fez a previsão de que procuradores podem ser presos em breve.
Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá